Mercado vê recessão menor em 2020 e aumenta estimativa para a inflação

Analistas passaram a prever queda de 6,10% da atividade econômica este ano, ante recuo de 6,50% na semana passada; expectativa para o IPCA foi de 1,63% para 1,72% Os economistas do mercado financeiro voltaram a melhorar as estimativas para o Produto Interno Bruto (PIB) de 2020.

A projeção passou de uma retração de 6,50% para 6,10%. Os números fazem parte do boletim de mercado, conhecido como relatório "Focus", divulgado nesta segunda-feira (13) pelo Banco Central (BC).

O levantamento foi feito na semana passada e ouviu mais de 100 instituições financeiras. O PIB é a soma de todos os bens e serviços produzidos no país e serve para medir a evolução da economia. A expectativa para o nível de atividade foi medida em meio à pandemia do novo coronavírus, que tem derrubado a economia global e colocado o mundo no caminho de uma recessão. Em 13 de maio, o governo brasileiro estimou uma queda de 4,7% para o PIB de 2020, tendo como base a perspectiva de que as medidas de distanciamento social terminariam no fim de maio. O Banco Mundial prevê uma queda de 8% no PIB brasileiro e o Fundo Monetário Internacional (FMI) estima um tombo de 9,1%. Em 2019, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o PIB cresceu 1,1%.

Foi o desempenho mais fraco em três anos.

Nos três primeiros meses de 2020, foi registrada uma retração de 1,5% na economia brasileira. Para o próximo ano, a previsão do mercado financeiro para o crescimento do PIB permaneceu estável em 3,50%. Aumento na projeção de inflação Segundo o relatório divulgado pelo BC nesta segunda-feira, os analistas do mercado financeiro elevaram a estimativa de inflação em 2020, de 1,63%, para 1,72%. A expectativa de inflação do mercado para este ano segue abaixo da meta central, de 4%, e também do piso do sistema de metas, que é de 2,5% neste ano. Pela regra vigente, o IPCA pode oscilar de 2,5% a 5,5% sem que a meta seja formalmente descumprida.

Quando a meta não é cumprida, o BC tem de escrever uma carta pública explicando as razões. A meta de inflação é fixada pelo Conselho Monetário Nacional (CMN).

Para alcançá-la, o Banco Central eleva ou reduz a taxa básica de juros da economia (Selic). Para 2021, o mercado financeiro manteve em 3% sua previsão de inflação.

No ano que vem, a meta central de inflação é de 3,75% e será oficialmente cumprida se o índice oscilar de 2,25% a 5,25%. Novo corte nos juros O mercado também manteve a previsão de um novo corte na taxa básica de juros da economia, a Selic, que atualmente está em 2,25% ao ano.

A previsão dos analistas é de que a taxa caia para 2% até o fim de 2020. Para o fim de 2021, a expectativa permaneceu estável em 3% ao ano.

Isso quer dizer que os analistas seguem estimando alta dos juros no ano que vem. Outras estimativas Dólar: a projeção para a taxa de câmbio no fim de 2020 continuou em R$ 5,20.

Para o fechamento de 2021, caiu para R$ 5,00 por dólar. Balança comercial: para o saldo da balança comercial (resultado do total de exportações menos as importações), a projeção em 2020 foi elevada para US$ 54 bilhões de resultado positivo.

Para o ano que vem, a estimativa dos especialistas do mercado foi mantida em US$ 55,25 bilhões de superávit. Investimento estrangeiro: a previsão do relatório para a entrada de investimentos estrangeiros diretos no Brasil, em 2020, foi mantida em US$ 55 bilhões.

Já para 2021, a estimativa dos analistas foi cortada, para US$ 64,10 bilhões.

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